Uma investigação minuciosa da Delegacia-Geral de Acrelândia/AC localizou e prendeu dois homens acusados de homicídios qualificados que, somados, passavam de 60 anos de fuga. Os alvos foram capturados nos estados de Rondônia e do Paraná.

A captura exigiu um trabalho estratégico de inteligência policial para reconectar pistas antigas e contou com o apoio das forças de segurança locais de cada estado onde os criminosos tentavam se esconder.
O primeiro caso solucionado remonta ao dia 8 de agosto de 1993, no Ramal do Granada, quilômetro 20. O nacional Antonio Apolinario é acusado de assassinar Jorge Gomes Martins após uma discussão fútil envolvendo a compra de uma saca de arroz. Segundo os registros da época, o autor exigia mais dinheiro da vítima e, após um bate-boca acalorado, prometeu vingança.
Dias depois, aproveitando-se do momento em que Jorge Gomes havia acabado de se deitar para dormir, Antonio escondeu-se atrás da residência e, através das frestas da parede de madeira, efetuou um disparo de arma de fogo que tirou a vida da vítima. O acusado chegou a ser ouvido pela autoridade policial em outubro de 1993, mas fugiu logo em seguida, desaparecendo por 32 anos.
Após 15 dias de diligências ininterruptas, os investigadores de Acrelândia, em uma ação conjunta com a Polícia Civil de Rondônia, localizaram e prenderam o homicida na cidade de Candeias do Jamari (RO).
O segundo alvo da ofensiva foi Joaquim Manoel da Silva, foragido por um homicídio praticado em 17 de novembro de 1996, também no Ramal do Granada, mas no quilômetro 10. A vítima foi Francisco Pereira Alves.

A investigação apontou motivação passional: a ex-esposa do acusado havia se separado dele e iniciado um relacionamento com Francisco. Demonstrando frieza, Joaquim fingiu aceitar a situação, aproximou-se do casal e conquistou a confiança de ambos ao longo de um ano, simulando não guardar mágoas. No entanto, no dia do crime, ele invadiu sorrateiramente a residência das vítimas e, escondido atrás de uma cortina, atirou na nuca de Francisco, que morreu instantaneamente.
O trabalho integrado entre os oficiais de Acrelândia e as forças de segurança de Toledo (PR) permitiu rastrear o paradeiro do criminoso, culminando em sua prisão em território paranaense.
“Essas prisões enviam um recado claro de que a Justiça pode até tardar devido às astúcias dos criminosos em se esconderem, mas o Estado não esquece. Estamos falando de crimes brutais, cometidos por motivos fúteis e passionais na década de 90, cujos autores acreditavam que o tempo havia apagado seus rastros. Graças à persistência dos nossos investigadores e ao apoio fundamental das polícias de Rondônia e do Paraná, conseguimos dar uma resposta definitiva para as famílias das vítimas. A impunidade não tem prazo de validade em Acrelândia”, enfatizou a delegada Jade Dene, que coordena a Delegacia-Geral de Acrelândia.
Os dois capturados foram conduzidos às unidades prisionais dos estados onde foram localizados e passarão pelas respectivas audiências de custódia, ficando à disposição do Poder Judiciário do Acre para o cumprimento de suas penas.