Polícia Civil do Estado do Acre – PCAC

maio 2025

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Polícia Civil deflagra Operação “Aepyornis” e prende três suspeitos por envolvimento com organização criminosa em Senador Guiomard

Na manhã desta quarta-feira, 28, a Polícia Civil do Acre (PCAC), por meio da Delegacia-Geral de Senador Guiomard e com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), deflagrou a Operação “Aepyornis”. A ação tem como objetivo coibir e investigar práticas ligadas ao incentivo e atuação de organizações criminosas no município. Durante a operação, foram cumpridos três mandados de prisão e três mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário. Os alvos da ação são indivíduos que, durante o feriado da Páscoa, distribuíram ovos de chocolate no município e utilizaram as redes sociais para fazer apologia a uma facção criminosa, numa tentativa de atrair simpatizantes e fortalecer o grupo ilegal. Além das postagens nas redes sociais, outros indícios coletados pela Polícia Civil apontam que os envolvidos participavam de atividades típicas de organizações criminosas (ORCRIM), o que motivou a abertura de investigação e, posteriormente, a deflagração da operação. O delegado Rômulo Barros, titular da Delegacia de Senador Guiomard e responsável pela operação, destacou a importância da ação como uma resposta ao avanço da criminalidade organizada no interior do estado. “Essa operação é fruto de um trabalho técnico e minucioso, que identificou tentativas de aliciamento e fortalecimento de uma facção criminosa no município. Não vamos permitir que grupos criminosos usem ações aparentemente inofensivas para atrair jovens e expandir sua influência. A Polícia Civil está atenta e continuará atuando com firmeza para manter a ordem e a segurança da população de Senador Guiomard,” afirmou o delegado. As investigações seguem em andamento, com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos e apurar se os suspeitos também participaram de outros delitos.

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Operação da Polícia Civil em Xapuri prende dois homens por estupro de vulnerável e tráfico de drogas

Em uma ação coordenada e eficiente, a Polícia Civil do Acre (PCAC), por meio da Delegacia-Geral de Xapuri, prendeu em flagrante na última terça-feira, 27, dois homens pelos crimes de estupro de vulnerável e tráfico de drogas. As prisões ocorreram em cumprimento a um Mandado de Busca e Apreensão, resultado de uma denúncia recebida pelo Conselho Tutelar. As investigações tiveram início após o Conselho Tutelar de Xapuri denunciar W.A.M. por, em tese, estar dormindo todas as noites com uma adolescente de 13 anos. Diante dos elementos probatórios colhidos, o delegado Dr. Luccas Vianna representou pela expedição do Mandado de Busca e Apreensão para a residência do investigado. Durante o cumprimento do mandado, a equipe policial encontrou W.A.M. dormindo com outra adolescente, também de 13 anos. Ao ser questionado pelos investigadores sobre a adolescente da denúncia original, W.A.M. informou que ela estaria em outra residência com um homem identificado como J.L. da S. Os policiais se deslocaram imediatamente ao local indicado e constataram a veracidade dos fatos. No mesmo endereço, a equipe encontrou entorpecentes, uma balança de precisão, tesoura e dinheiro, elementos que caracterizam o crime de tráfico de drogas. Diante da flagrância dos crimes, foi dada voz de prisão aos dois envolvidos. W.A.M. e J.L. da S., juntamente com as adolescentes, foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil de Xapuri para as devidas providências legais. A ação da Polícia Civil reforça o compromisso com a proteção de crianças e adolescentes e o combate ao tráfico de entorpecentes na região.

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Polícia Civil do Acre realiza palestras sobre combate à violência sexual durante ação cívico-social do Exército

Nesta terça-feira, 27, a Polícia Civil do Acre (PCAC) participou de uma importante ação cívico-social promovida pelo Exército Brasileiro, por meio do 4º Batalhão de Infantaria de Selva (4º BIS), realizada na Escola Ilson Ribeiro, localizada no bairro Calafate, em Rio Branco. A iniciativa contou com a presença de diversos órgãos públicos que prestaram atendimentos e orientações à comunidade. Durante o evento, a PCAC promoveu palestras educativas com foco no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. As atividades integraram o conjunto de ações preventivas desenvolvidas no âmbito da Operação Caminhos Seguros, que visa fortalecer o combate à exploração e abuso sexual infantojuvenil no estado. Pela manhã, a equipe do programa Bem-Me-Quer, junto com uma psicóloga da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), abordou temas como os sinais de abuso sexual, estratégias de prevenção e os canais de denúncia disponíveis. À tarde, a explanação foi conduzida por integrantes da Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima (DECAV), que reforçaram as informações e ampliaram o diálogo com os presentes. Para a coordenadora estadual do programa Bem-Me-Quer e Representante Institucional de Políticas Públicas de Proteção a Grupos Vulneráveis da PCAC, delegada Juliana De Angelis Drachenberg, ações como essa são fundamentais para levar informação à população e romper o silêncio que muitas vezes protege os agressores. “Nossa missão é proteger as crianças e adolescentes e garantir que a sociedade esteja preparada para identificar e reagir diante de qualquer sinal de abuso. Essas palestras são oportunidades de levar conhecimento, acolhimento e empoderamento à comunidade. Trabalhar a prevenção, especialmente em ações integradas como essa com o Exército e outros órgãos, é essencial para construirmos caminhos mais seguros para nossas crianças”, afirmou a delegada. A PCAC segue firme no compromisso de ampliar o alcance das ações de prevenção e conscientização, reforçando sua atuação nas escolas, comunidades e instituições parceiras em todo o estado.

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Polícia Civil prende terceiro envolvido em homicídio ocorrido em Tarauacá

A Polícia Civil do Acre (PCAC), por meio da Delegacia-Geral de Tarauacá, prendeu nesta segunda-feira, 26, J.L.F.K., de 19 anos, apontado como o terceiro envolvido no assassinato de Everson dos Santos de Lima, de 33 anos. O crime ocorreu no cruzamento das ruas João de Paiva com Simão Leite Damasceno, no bairro Pompeu, em Tarauacá. Everson foi morto a golpes de faca após uma discussão com três homens que consumiam bebida alcoólica no local. A investigação da Polícia Civil identificou os autores do crime, resultando na expedição de mandado de prisão para todos os envolvidos. Dois suspeitos já haviam sido capturados anteriormente. A prisão de J.L.F.K. representa mais um avanço no trabalho de elucidação de crimes violentos na região, reforçando o compromisso da Polícia Civil com a segurança da população e a responsabilização de autores de homicídios. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do caso e assegurar que os responsáveis sejam devidamente julgados.

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Polícia Civil do Acre participa de Seminário Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes

Na manhã desta segunda-feira, 26, a Polícia Civil do Acre marcou presença no Seminário Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, realizado no auditório do Ministério Público do Estado do Acre, em Rio Branco. Promovido pelo Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, o evento reuniu representantes de diversas instituições públicas, profissionais da rede de proteção e especialistas, com o objetivo de fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção e ao atendimento das vítimas. A delegada Juliana De Angelis, da Polícia Civil, atuou como mediadora de um dos painéis e destacou a relevância da cooperação entre os diversos órgãos envolvidos no enfrentamento à violência sexual infantojuvenil. “Eventos como este são fundamentais para alinhar esforços. O diálogo entre os setores, conforme destacado durante o seminário, será crucial para superar desafios como a subnotificação de casos e a garantia de acesso universal ao sistema de proteção, buscando qualificar o acolhimento às crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A Polícia Civil tem atuado de forma proativa, não apenas na investigação rigorosa dos crimes, mas também na promoção de um ambiente seguro para as vítimas”, afirmou a delegada. O seminário foi dividido em três painéis temáticos. O primeiro abordou o fluxo de atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, com ênfase nas práticas realizadas pela Maternidade Bárbara Heliodora e pelo Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco. O segundo painel tratou do fortalecimento das boas práticas da rede de proteção, com destaque para o papel do Poder Judiciário. Já o terceiro painel discutiu a implementação do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e os desafios relacionados à aplicação da Lei nº 13.431/2017, que institui a escuta especializada e o depoimento especial de crianças e adolescentes vítimas e testemunhas de violência. O seminário integra a programação do Maio Laranja, mês de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Durante o período, a Polícia Civil intensifica suas ações por meio da Operação Caminhos Seguros, que inclui o reforço do efetivo na Delegacia de Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas (DECAV), em Rio Branco, e nas unidades policiais do interior do estado. A Operação, de abrangência nacional, tem como foco a intensificação do combate a todas as formas de violência contra crianças e adolescentes, reafirmando o compromisso da Polícia Civil com a proteção dos mais vulneráveis.

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Polícia Civil prende homem investigado por estuprar a própria filha em Sena Madureira durante Operação Caminhos Seguros

Nesta segunda-feira, 26, a Polícia Civil do Acre (PCAC), por meio da Delegacia-Geral de Sena Madureira, prendeu um homem investigado pelo estupro da própria filha. O crime, considerado hediondo, vinha sendo investigado com prioridade pela equipe da unidade e a prisão faz parte das ações da Operação Caminhos Seguros, voltada ao combate da violência sexual contra crianças e adolescentes. O suspeito estava foragido e teve sua prisão decretada após representação da autoridade policial e o devido deferimento judicial. No domingo, 25, a PCAC fez a representação e deferimento de sua prisão e iniciou as diligências pela equipe de investigação da delegacia de Sena Madureira, visando a captura do mesmo. O delegado titular da unidade, Dr. Thiago Parente, destacou o comprometimento da Polícia Civil em proteger os mais vulneráveis e reforçou a importância da operação: “Essa foi uma ação da Polícia Civil com ênfase na Operação Caminhos Seguros, que visa combater com rigor os crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes. Esse tipo de crime é inadmissível e vamos seguir firmes para responsabilizar todos aqueles que atentam contra a dignidade de menores.” A Operação Caminhos Seguros integra um esforço nacional de enfrentamento a crimes sexuais, especialmente os cometidos no ambiente familiar, e conta com ações coordenadas entre delegacias especializadas, Ministério Público e Judiciário. A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a proteção de crianças e adolescentes, incentivando denúncias e garantindo o acolhimento das vítimas.

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Polícia Civil do Acre restitui mais de 100 celulares na segunda etapa da Operação Mobile

Nesta sexta-feira, 23, a Polícia Civil do Estado do Acre (PCAC), por meio do Departamento de Polícia da Capital e do Interior (DPCI), promoveu a entrega de mais de 100 aparelhos celulares a vítimas de roubos e furtos, como parte da segunda etapa da Operação Mobile. A ação reafirma o compromisso da instituição com a devolução de bens subtraídos e o combate ao comércio ilegal de eletrônicos no estado. Ao longo da semana, equipes da PCAC entraram em contato com os proprietários dos celulares localizados por meio de investigações e diligências realizadas desde o início da operação. A restituição dos aparelhos, alguns avaliados em mais de R$ 9 mil, só foi possível graças à formalização dos casos pelas vítimas, que registraram boletins de ocorrência, e ao rastreamento da origem dos equipamentos por meio de notas fiscais. O delegado Roberth Alencar, responsável pela Operação Mobile no Acre, destacou a importância da cooperação entre vítimas, polícia e comerciantes. “Esse resultado é fruto de um trabalho intenso de investigação e também de conscientização. Quando a vítima registra o boletim de ocorrência e apresenta os documentos do aparelho, a polícia tem os meios legais e técnicos para agir. Estamos avançando na repressão ao comércio ilegal de celulares e orientamos que a população compre sempre de lojas autorizadas e exija a nota fiscal”, informou. A Operação Mobile é uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), coordenada pelo Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil (CONCPC), e faz parte do esforço nacional para combater o roubo e furto de celulares, por meio do Protocolo Nacional de Recuperação de Celulares. O delegado-geral da PCAC, Dr. José Henrique Maciel, reforçou o impacto positivo da ação. “A Operação Mobile mostra a força da integração entre as polícias civis do país. No Acre, estamos alinhados com esse esforço nacional para recuperar bens das vítimas e enfraquecer a cadeia criminosa que se alimenta do roubo de celulares. Restituir mais de 100 aparelhos em uma única etapa é uma vitória da sociedade acreana e da Polícia Civil”, enalteceu. Um dos beneficiados com a restituição foi o lojista Alomar Moreira, que havia perdido um aparelho de alto valor durante um assalto no centro de Rio Branco. Ele relatou a surpresa ao ser contatado pela polícia. “Confesso que não acreditava que ia recuperar meu celular, mas mesmo assim fiz o boletim, entreguei tudo certinho e confiei no trabalho da polícia. Fiquei muito feliz quando me ligaram dizendo que meu aparelho foi localizado. Foi uma grata surpresa e uma prova de que a gente deve sempre procurar nossos direitos.” A Polícia Civil do Acre segue com as ações de combate ao furto e receptação de celulares e orienta a população a manter a nota fiscal guardada, registrar boletim de ocorrência em caso de perda ou roubo, e denunciar pontos suspeitos de venda de produtos de origem ilícita.

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Desarmamento no Brasil: Direito Penal Simbólico e a Ilusão da Segurança

Por Kallil Alves Reis – Inspetor Especial de Polícia do Acre O Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003), criado sob a justificativa de reduzir os alarmantes índices de homicídios no Brasil, é um retrato fiel de um fenômeno jurídico cada vez mais presente: o Direito Penal Simbólico. Trata-se de legislações que aparentam solucionar problemas complexos com respostas penais imediatas, mas que na prática servem mais para sinalizar ação do que para transformar realidades. Desde sua criação, o Estatuto prometia restringir o acesso às armas de fogo, com o objetivo de diminuir a violência urbana. No entanto, quase duas décadas depois, os números revelam que a promessa não foi cumprida. Segundo dados do Global Burden of Disease, em 2016 o Brasil registrou mais de 43 mil mortes por armas de fogo — 94% delas homicídios. Entre 2003 (ano de sanção da lei) e 2014, houve um aumento de 12,34% nas mortes por armas de fogo, passando de 39.325 para 44.861. Se a intenção era reduzir a violência, o efeito foi, no mínimo, nulo. A explicação pode estar no foco equivocado da legislação. Leis restritivas como essa atingem justamente aqueles que obedecem à lei — o cidadão comum que busca registrar e manter legalmente uma arma de fogo para proteção pessoal, patrimonial ou esportiva. Já os criminosos, que não se preocupam com requisitos legais, continuam se armando através do mercado ilegal, alimentado por fronteiras frágeis e fiscalização ineficiente. Uma pesquisa realizada em delegacias do Estado do Acre, entre 2017 e 2019, confirma essa percepção: mais de 90% dos homicídios com arma de fogo estavam relacionados a crimes como tráfico de drogas e disputas entre facções — ou seja, praticados por criminosos reincidentes. Já os crimes passionais, cometidos geralmente por cidadãos primários, utilizavam mais frequentemente armas brancas ou outros meios: Figura 2: Mortes por armas de fogo no ano de 2017 Fonte:  Diretoria de Policia Civil do Estado do Acre/Departamento de Inteligência Figura 3: Mortes por armas de fogo no ano de 2018 Fonte: Diretoria de Policia Civil do Estado do Acre/Departamento de Inteligência Outro argumento recorrente na defesa do desarmamento é o risco de suicídios com armas de fogo. Mas os dados do mesmo levantamento revelam que o principal meio de suicídio no Acre, durante o período analisado, foi o enforcamento — responsável por cerca de 70% das mortes. Armas de fogo estiveram longe de figurar como principal instrumento: Figura 5: Suicídios referentes aos anos 2017- primeiro semestre de 2019 Fonte: Diretoria de Policia Civil do Estado do Acre/ Departamento de Inteligência. O referendo de 2005 reforça o descompasso entre a vontade popular e a norma jurídica: 63% da população votou contra a proibição da comercialização de armas, deixando claro que o cidadão não acreditava na eficácia da medida. Mesmo assim, a legislação permaneceu praticamente inalterada. Uma democracia madura precisa ouvir sua população — principalmente em temas sensíveis como este, que envolvem direitos fundamentais, como o da legítima defesa. Comparações internacionais também ajudam a desmistificar a relação direta entre armas e violência. O Uruguai, por exemplo, possui uma das maiores taxas de armas per capita da América Latina (mais de 34 armas para cada 100 habitantes), mas apresenta uma taxa de homicídios por armas de fogo muito inferior à brasileira. O mesmo se aplica a países como Suíça e Estados Unidos, cujas políticas armamentistas são menos restritivas e, ainda assim, apresentam taxas de crimes violentos inferiores às do Brasil: Figura 1: Mortes por armas de fogo em relação número de armas Fonte: small arms survey and Global Mortality From Firearms Esses dados nos levam a questionar a lógica por trás do desarmamento civil. Se a presença de armas por si só não explica a violência — e, em alguns casos, sua ausência não a reduz, então por que tanto esforço legislativo em restringir seu acesso? A resposta pode estar no campo simbólico da política criminal. Leis penais muitas vezes são utilizadas como respostas emocionais a clamores sociais por segurança, especialmente quando outros mecanismos falham. É uma forma de o Estado mostrar “ação” sem necessariamente enfrentar as causas reais da violência — desigualdade social, ausência do Estado em áreas periféricas, impunidade, falência do sistema prisional, entre outras. A doutrina penal chama esse fenômeno de função latente da norma: a real motivação por trás da lei não é aquela que está escrita no papel (reduzir homicídios), mas sim satisfazer a expectativa simbólica de que “algo está sendo feito”. É, portanto, um engano institucionalizado. Como bem define o jurista Winfried Hassemer, no Direito Penal Simbólico “não se pode confiar na norma tal como se apresenta”. Essa lógica simbólica também dialoga com outro fenômeno contemporâneo: a chamada “esquerda punitiva”, conceito desenvolvido por Maria Lúcia Karan, que descreve o processo em que setores progressistas — historicamente defensores das liberdades civis — passam a endossar políticas penais repressivas diante da crescente sensação de insegurança. Assim, o Direito Penal torna-se um anestésico para a angústia social, ainda que ineficaz em termos reais. A questão que se impõe, portanto, é: de que adianta criar leis simbólicas, que não reduzem a violência, mas apenas restringem direitos de quem obedece à lei? O verdadeiro impacto do Estatuto do Desarmamento foi a criação de uma série de barreiras legais que dificultam o acesso de cidadãos de bem às armas de fogo, sem tocar no principal problema: o armamento de criminosos. Não se trata aqui de defender o armamento irrestrito, tampouco negar os riscos que o mau uso de armas representa. Mas sim de exigir que o debate público sobre segurança se baseie em dados concretos, e não em ideologias ou desejos de vendeta. O caminho da paz social não passa, necessariamente, pela proibição, mas pela responsabilidade, educação e respeito à liberdade individual. Em vez de continuar apostando em leis penais simbólicas, precisamos repensar o papel do Estado na segurança pública. A solução não virá de mais proibições, mas de políticas efetivas de prevenção, inteligência policial, fortalecimento das fronteiras e combate ao crime organizado. A violência não se combate com ilusões legislativas, mas

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Polícia Civil prende segundo suspeito de matar pajé por suposto feitiço lançado contra aldeia em Manoel Urbano

A Polícia Civil do Acre (PCAC), por meio da Delegacia-Geral de Manoel Urbano, capturou nesta quinta-feira, 22, o segundo envolvido no assassinato do pajé indígena Hurui Kulina, de 49 anos, brutalmente morto a golpes de ripa em 2023. O suspeito, Beda Kulina, foi preso após um trabalho investigativo contínuo conduzido pelos agentes da unidade. A prisão de Beda ocorreu dois dias após a detenção do primeiro suspeito, capturado na última terça-feira, 20. Ambos são indígenas da etnia Kulina e, segundo a autoridade policial responsável pelo caso, relataram que cometeram o crime motivados por crenças tradicionais da etnia. De acordo com os depoimentos, os autores alegaram que a vítima estaria lançando feitiços contra a aldeia, especialmente contra o pai de um dos agressores, que se encontra em estado grave de saúde, debilitado por conta do que os indígenas chamam, em sua língua, de “durin”, um tipo de encantamento ou maldição. Veja também: Polícia Civil do Acre prende suspeito de envolvimento na morte de indígena da etnia Kulina em Manoel Urbano “O caso ganhou repercussão por envolver um líder espiritual indígena e por levantar discussões sobre conflitos internos motivados por crenças tradicionais e justiça pelas próprias mãos. A Polícia Civil reforça que, mesmo diante de elementos culturais, crimes como homicídio serão rigorosamente investigados e punidos conforme a legislação brasileira”, disse o delegado responsável pelo caso, Dr. Thiago Parente. Com a prisão dos dois envolvidos, a PCAC encerra a fase principal das investigações, que agora seguem para a conclusão do inquérito e envio ao Ministério Público para as devidas providências legais.

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