O governo do Estado, por meio da Polícia Civil do Acre (PCAC), deflagrou uma operação para investigar o armazenamento irregular e a comercialização clandestina de medicamentos e equipamentos hospitalares pertencentes à rede pública de saúde. Na manhã desta segunda-feira, 5, um suspeito foi preso.

A investigação foi solicitada à Polícia Civil pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre). Desde o início de 2023, a gestão da Sesacre levantava suspeitas que, com o avanço do tempo e a realização de investigações minuciosas, resultaram na confirmação das irregularidades.
De acordo com o delegado-geral da PCAC, José Henrique Maciel, o caso contará com uma ampla força-tarefa, por se tratar de um crime que atinge diretamente a população. Para o gestor, é extremamente grave a revenda de medicamentos que deveriam ser distribuídos gratuitamente, pois essa prática compromete o abastecimento das unidades públicas de saúde.

“A operação faz parte de uma investigação que já vem sendo realizada há alguns meses, a pedido do secretário de Saúde. Solicitamos apoio da nossa delegacia especializada e, hoje pela manhã, houve esse primeiro desfecho, com a ação de busca e apreensão. O governo do Estado não compactua com esse tipo de situação”, afirmou o delegado.
Além disso, o delegado-geral não descarta a possibilidade da existência de uma organização criminosa por trás do esquema: “Temos provas de que existem mais envolvidos e de que pode se tratar de uma quadrilha. Com certeza, há participação de várias pessoas, inclusive dentro da Sesacre.”
Nesta segunda-feira, investigadores da PCAC chegaram a uma residência em Rio Branco, onde encontraram grande quantidade de fármacos armazenados em caixas. O material apreendido foi suficiente para preencher a carroceria de dois caminhões de médio porte.

Segundo o delegado Igor Brito, responsável pela investigação, os medicamentos apreendidos eram de diversos tipos, incluindo remédios destinados ao tratamento oncológico e outros insumos. Um balanço inicial estima que o valor total do material ultrapassa R$ 1 milhão.
“A Polícia Civil continuará realizando o trabalho investigativo. Já coletamos o interrogatório do autuado em flagrante e, a partir disso, iremos apreender eventuais objetos e aparelhos eletrônicos presentes no imóvel, a fim de dar continuidade às investigações. Também iremos identificar possíveis compradores, suas localidades e os valores pagos”, contou Igor.

O secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal, afirmou que os medicamentos apreendidos passarão por um processo de rastreamento por meio do número de série, o que permitirá identificar a origem de cada item e o caminho percorrido até a revenda irregular.
Segundo o titular da pasta, os levantamentos iniciais apontam indícios fortes de que os medicamentos tenham saído de unidades públicas de saúde estratégicas, como o Pronto-Socorro, a Fundação Hospitalar, a Maternidade e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
“Trata-se de um trabalho iniciado há algum tempo, e o mérito é do governo do Estado, por meio da Polícia Civil do Acre. Graças a esse esforço, estamos começando a localizar as medicações que deveriam estar sendo aplicadas aos pacientes”, completou Pedro Pascoal.

Por Agência de Notícias do Acre