Aos 100 anos de idade indígena Kaxinawá é atendido pela Polícia Civil em ação de cidadania no interior do Acre

O esforço logístico para levar cidadania aos pontos mais remotos do Acre alcançou um marco histórico nesta sexta-feira, 8. Em uma ação conjunta entre a Polícia Civil, por meio do Instituto de Identificação, e a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) chegou aos municípios de difícil acesso, cruzando rios e florestas para atender quem mais precisa.

Ancião Kaxinawá de 100 anos recebe atendimento especial para emissão da CIN em Santa Rosa do Purus. Foto: cedida

Após uma semana de intensos trabalhos em Jordão e Santa Rosa do Purus, a equipe protagonizou um momento de profunda emoção. Entre os beneficiários do atendimento gratuito, estava o senhor Leôncio Salomão Tomasa Kaxinawá. Com o rosto marcado pelo tempo e a sabedoria de quem atravessou um século de história na Amazônia, o ancião de 100 anos de idade foi o centro das atenções ao atualizar seu registro civil.

Para as comunidades indígenas e ribeirinhas, a CIN não é apenas um documento, é a chave de acesso a direitos fundamentais, benefícios sociais e à própria dignidade perante o Estado. A presença dos peritos papiloscopistas em solo indígena reforça o compromisso do Governo do Acre em eliminar as barreiras geográficas que isolam esses cidadãos.

“Estou muito contente que vocês vieram até aqui. A gente fica velho e o corpo cansa de viajar para longe atrás de papel. Agora, com esse documento novo, eu sinto que ainda existo para o mundo e que o meu povo está sendo visto. É um orgulho ter meu nome direitinho agora,” afirmou o senhor Leôncio Kaxinawá, com um sorriso sereno após coletar suas impressões digitais.

Mutirão de cidadania garante emissão da nova identidade para 2 mil pessoas em municípios isolados. Foto: cedida

O trabalho nos municípios isolados exige uma logística complexa, envolvendo transporte aéreo e fluvial para levar equipamentos de alta tecnologia a locais onde a energia e a internet são limitadas. Para o Diretor do Instituto de Identificação da PCAC, Júnior César da Silva, atender o senhor Leôncio é o símbolo máximo do sucesso da missão.

“Ver o senhor Leôncio, com seus cem anos de vida, recebendo o atendimento na sua própria região é a maior recompensa para a nossa equipe. O nosso objetivo é exatamente este: humanizar a segurança pública e garantir que nenhum acreano, por mais distante que more, seja esquecido. A CIN é um direito de todos, e o Estado não medirá esforços para chegar até eles,” destacou o diretor.

A força-tarefa em Jordão e Santa Rosa do Purus encerra esta etapa com um balanço expressivo de alcance social. No total, o Governo do Acre ofertou 2 mil atendimentos para a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), garantindo que uma parcela significativa da população local tenha acesso ao documento moderno e seguro.