A Polícia Civil do Acre (PCAC) divulgou relatório comparativo sobre crimes de violência sexual cometidos contra crianças e adolescentes no estado, com dados coletados e analisados pelo Departamento de Inteligência, por meio da Coordenação de Estatística e Análise de Dados (COEAD). O levantamento reúne informações referentes aos anos de 2024, 2025 e 2026, com dados parciais contabilizados até 31 de março deste ano.

De acordo com o relatório, os registros de estupro contra crianças e adolescentes passaram de 125 vítimas em 2024 para 75 em 2025, enquanto em 2026, entre janeiro e março, foram contabilizadas 27 ocorrências. Já os casos de estupro de vulnerável apresentaram 759 vítimas em 2024 e 652 em 2025, com 123 registros parciais em 2026. Em relação à importunação sexual, foram registrados 92 casos em 2024, 100 em 2025 e 13 ocorrências entre janeiro e março deste ano.
O estudo apresenta, ainda, panorama detalhado sobre incidência desses crimes por municípios, com a distribuição entre capital e interior e as regionais de atuação da Polícia Civil, além de dados sobre sexo, faixa etária, identificação étnico-racial, dias da semana e períodos do dia em que as ocorrências são registradas.

O relatório aponta maior incidência de casos entre vítimas adolescentes, especialmente do sexo feminino, cenário que reforça a necessidade de fortalecimento contínuo das ações de prevenção, acolhimento e repressão qualificada a esse tipo de crime.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Buzolin, o levantamento funciona como ferramenta estratégica para direcionar ações da instituição. “Esse trabalho técnico nos permite compreender melhor a dinâmica desses crimes e direcionar esforços de investigação, prevenção e repressão de maneira mais eficiente. A proteção de crianças e adolescentes é prioridade absoluta da Polícia Civil, e seguiremos atuando com rigor no enfrentamento a esses delitos”, destacou.
Buzolin ressaltou ainda que a análise dos dados permite identificar padrões, áreas mais sensíveis e perfis de vulnerabilidade, subsidiando decisões estratégicas e fortalecendo ações integradas de combate à violência sexual no estado.

Como parte das ações permanentes de enfrentamento, a Polícia Civil do Acre mantém o Programa Bem-Me-Quer, iniciativa voltada ao acolhimento humanizado de mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência. Nos municípios onde não há Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), foram implantadas salas do programa, com espaços planejados para oferecer ambiente acolhedor e diferenciado, com cores suaves, mobília adequada e organização pensada para que a vítima não se sinta em ambiente hostil.
Mas cumpre destacar que o Bem-Me-Quer vai além da estrutura física. Policiais civis recebem treinamento especializado para garantir atendimento mais empático, paciente e tecnicamente preparado, respeitando a sensibilidade de cada caso e assegurando maior proteção às vítimas e familiares.
A coordenadora de Proteção aos Grupos Vulnerabilizados e do Programa Bem-Me-Quer, Delegada Juliana De Angelis, destacou que o enfrentamento a esse tipo de crime exige atuação articulada e acolhimento especializado.

“Os dados apresentados reforçam uma realidade que exige atenção permanente e atuação integrada de toda a rede de proteção. O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes vai além da investigação criminal, envolve acolhimento humanizado, escuta qualificada e medidas efetivas de proteção às vítimas”, afirmou.
Além das ações contínuas de enfrentamento, a Polícia Civil do Acre integrará, a partir do dia 4 de maio, as ações da Operação Caminhos Seguros, mobilização nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública voltada ao combate à exploração e violência sexual contra crianças e adolescentes. Durante o período da operação, a PCAC atuará com reforço investigativo, cumprimento de diligências e trabalho integrado com demais órgãos de segurança e da rede de proteção à infância e adolescência.

A Polícia Civil orienta que qualquer suspeita de abuso ou violência sexual contra crianças e adolescentes seja imediatamente comunicada às autoridades, por meio do Disque 100, 181 ou em qualquer delegacia mais próxima, garantindo sigilo e proteção às vítimas.